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quarta-feira, 2 de maio de 2012

Sobre o Auto-conhecimento, por Khalil Gibran


Então um homem disse, Fala-nos do Auto-conhecimento.
E ele respondeu, dizendo:
Os vossos corações conhecem em silêncio os segredos dos dias e das noites.
Mas os vossos ouvidos anseiam pelo som do conhecimento do vosso coração.
Vós sabeis por palavras aquilo que sempre soubestes em pensamento.
Tocais com a ponta dos dedos o corpo nu dos vossos sonhos.
E ainda bem que assim é.
A nascente oculta da vossa alma deve erguer-se e correr a murmurar para o mar, e o tesouro das vossas profundezas infinitas será revelado perante os vossos olhos.
Mas que não haja medidas para pesar o vosso tesouro desconhecido;
E não procureis as profundezas do vosso conhecimento com limites.
Pois o ser em si não tem limites nem medidas.
Não digais "Encontrei a verdade", mas antes "Encontrei uma verdade."
Não digais "Encontrei o caminho para a alma", mas antes "Encontrei a alma a seguir o meu caminho''.
Pois a alma percorre todos os caminhos.
A alma não percorre uma linha, nem cresce como um caniço.
A alma desvenda-se a si própria como um lotus de incontáveis pétalas.



(Khalil Gibran, capítulo retirado da obra "O Profeta". Preservada a grafia original.)




terça-feira, 10 de abril de 2012

Sobre o tempo – Khalil Gibran


 *Preservada a grafia original.













Um astrônomo disse, “Fala-nos do Tempo”.
E ele respondeu:
Se dependesse de vós medirieis o imedível e o incomensurável
Ajustarieis a vossa conduta e até dirigirieis o rumo do vosso espírito de acordo com as horas e as estações.
Do tempo farieis um ribeiro em cuja margem vos sentarieis a vê-lo fluir.
No entanto, o intemporal em vós está consciente do intemporal da vida, e sabe que o ontem não é senão a memória do hoje, e o amanhã é o sonho de hoje.
E aquele que dentro de vós canta e contempla, habita ainda dentro dos limites daquele primeiro momento que espalhou as estrelas no firmamento.
Quem, dentre vós, não sente que a sua capacidade para amar é ilimitada?
E, no entanto, também sente que esse mesmo amor, embora ilimitado, está confinado no âmago do seu ser, não se movendo de pensamento amoroso para pensamento amoroso, nem de actos de amor para actos de amor.
E não será o tempo, tal como o amor, indivisível e imóvel?
Mas se em pensamento quiserdes medir o tempo em estações, deixai que cada estação abrace todas as outras.
E deixai que o hoje abrace o passado com saudade e o futuro com ansiedade.



(Texto extraído da obra “O Profeta” de Gibran Khalil Gibran, escritor e poeta libanês conhecido pelas obras que exaltavam o amor em todas as suas formas. Faleceu em Nova Iorque no dia 10 de abril de 1931).